A árvore

Maio 12, 2016 · 1 min leitura

Ao longo dos anos, a árvore permaneceu lá

perto da sabedoria das coisas simples

e nem os ventos frios do inverno ousaram

estremecer os seus braços fortes,

nem os quentes raios de sol desafiaram

as gotas de orvalho das suas folhas verdes.

Era como se aquela árvore fosse eterna

e a sua força brotasse naturalmente da terra,

na seiva sagrada das raízes mais profundas.

Um dia, as folhas começaram a desprender-se

uma a uma, pouco a pouco.

As gotas de orvalho foram perdendo o seu brilho

o vento que outrora transportava promessas

foi, gradualmente, esmorecendo

na certeza do dia que se torna noite escura.

E, aos poucos, as manhãs ficaram mais cinzentas

com saudade das cores que iluminam a raiz dos dias.

Agora, é como se o tempo andasse para trás,

os braços que procuravam o abraço do sol

voltam-se para o centro da terra, à procura de outra luz.

Tão de mansinho, a vou perdendo …

E, quase como quem não dá por isso

a árvore vai ficando mais perto das estrelas.

Texto escrito em fevereiro de 2014, um ano de perder o meu pai.

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