Presença

Março 27, 2021 · 1 min leitura

Passaram seis anos. Ou seis séculos. Tanto faz.

O tempo que nos liga às nossas raízes não é linear como o que faz o dia suceder à noite que, por sua vez, traz em si já a promessa de um novo dia. 

O tempo dos nossos afetos,  por vezes, segue no sentido inverso ao da luz do sol. Ou desafia o nosso equilíbrio em espirais debaixo dos pés.

Tal como hoje,  Dia Mundial do Teatro, caíu o pano e fiquei sem chão.

Passei a procurá-lo em mim, em cada traço físico, ou da personalidade.

Em cada viagem da memória que me transporta ao tempo em que me sentava no seu colo para ouvir o pai cantar “lá em cima está o tiro-liro-liro, cá em baixo está o tiro-liro-ló…”

Hoje, quando olho no espelho já não é apenas o meu rosto, é também a si que vejo.

Está lá.

Em cada expressão mais subtil, em cada  ruga traiçoeira, em cada olhar mais insuspeito. 

Para sempre, pai.

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